É, sem dúvida, a memória o melhor utensílio para o efeito. Muitos outros há, todavia invariavelmente esbarram na rigidez do percurso. Somente esta, por ser flexível, consegue cavar tão profundo. Basta que a hasteie, e, convulsa, ao sabor do vento, faz-me provar a melancolia, rasgando os caminhos que se fixam no coração.
Poderão julgar que se, porventura, insistir nesse labor, correrei o risco que este desabe. Mas não agora: há muito que está suspenso; não na corda das recordações ou da brandura, pois, por mais que o revolva, não encontro nada de precioso senão o sangue preciso a que se me prendem estes reflexos. A memória é o espelho onde nada o coração.